domingo, 17 de setembro de 2017

Taxi X Uber


Finalmente, parece que em Garanhuns começou a confusão entre táxis e ubers. Cada um que queria defender a sua parcela do mercado. Para mim, nada pode ser mais saudável que a concorrência, embora os taxistas reclamem que com o Uber a concorrência é desleal. E eles devem ter lá os seus motivos. Cada um tenta defender o seu, e, tenho certeza, apesar de não ser nenhuma especialista, que o mercado de transportes é grande o suficiente para que todos ganhem o seu sustento honestamente.

Em primeira análise, o consumidor sai ganhando porque, com a concorrência, temos mais opções para a prestação de serviços. Nada pode ser mais acachapante ao consumidor do que o monopólio. Temos experiência disso no próprio sistema de transportes públicos de nossa cidade, que há mais tempo do que eu me lembre é dominado por uma única empresa, a do santo. É preciso reconhecer que a do Padre continua operando na linha do Mundaú/João da Mata, mas é uma luta desigual, pois a citada linha é muito reduzida. E quer pagar seus pecados, sem desconto e ainda ficar com direito a uns pecadinhos secundários? pois precise do transporte público no domingo ou feriado. Criamos raízes esperando ônibus para o Mundaú, para o Parque Fênix ou Cohab III. É uma penitência digna de um dos círculos do inferno de Dante. Hoje só uso ônibus eventualmente, mas todas as vezes que preciso, fico pensando naqueles que pagam cinco reais para ir e voltar apenas uma vez por dia, do trabalho para casa. A dependência é cruel. 

Então, com a possibilidade do Uber, a concorrência se acirra e nos dá opções, porque o trânsito já contribui significativamente com sua parcela ao suplício urbano. Trata-se de uma empresa multinacional norte-americana, que opera nas ruas das grandes e médias cidades do mundo inteiro. Criada em 2009, enquadra-se no novo modelo empresarial de empresas "onipresente". Ou seja, é hoje a maior empresa de transporte urbano do mundo, mas que não possui um único carro. O que faz a empresa "rodar" é um aplicativo desenvolvido na Califórnia, que inscreve carros particulares para "caronas remuneradas". Ou seja, o sujeito que tem um carrinho mais arrumadinho se inscreve no app. O consumidor acessa ao app e pede um transporte, com origem e destino bem definidos. O app direciona a solicitação aos motoristas inscritos, e quem está mais próximo, atende a chamada. Um percentual do serviço fica para a empresa e o restante para o motorista. 

O que irrita os taxistas é a ausência de impostos e inscrições a que estes estão sujeitos, além de redução no número de clientes potenciais. É bem verdade que os amigos taxistas (a maior parte deles) precisavam de um choque de realidade para perceberem o quanto precisam melhorar na prestação do serviço. Quem nunca se estressou no trânsito com um taxista apressadinho que atire a primeira pedra. Pode perceber: os danados desconhecem a seta e buzinam desesperadamente quando o sinal mudou para o verde há apenas 3 segundos. Têm direito a estacionamento privilegiado e ainda se dão o direito de não aceitar a corrida, justificando que o destino é perto e não vale a pena sair da "fila" por tão pouco. Isso aconteceu comigo outro dia no Recife: queria ir do Aeroporto ao Shopping Center Recife e nenhum taxista quis me transportar. Tive que ir para a avenida Barão de Sousa Leão e ficar arriscando um táxi que viesse passando pela via. Isso me custou uns bons 15 minutos sob um sol escaldante das 13 horas e sendo alvo móvel para os ladrões. 

Apesar de muitos cometerem falhas na prestação do serviço, há taxistas de que são verdadeiros companheiros de trabalho, embaixadores culturais de seus países, amigos, e até mesmo, anjos. Quando estivemos em Barcelona, ao chegar na estação de trens, tínhamos a opção de ir de metro. Mas, as linhas são tão confusas, e tinha que trocar tanto de estação, que preferi ser rica por um dia e apanhar um táxi. O rapaz que nos atendeu era um jovem de uns 25 anos, magro, alto, de tênis e bermuda. No caminho, ao entrar na Plaza Catalunha, ele já começou a resmungar com o trânsito num espanhol arrastado. Ao entrar na Rambla, um ciclista ia zig-zagueando na nossa frente. Quando emparelhamos, o motorista baixou o vidro, e esculhambou o sujeito em catalão e eu, acompanhei, exclamando: "Estás doido? Quer morrer, peste?!" no mais nordestino português brasileiro, enquanto Luiza dava risada. No destino final, estendi-lhe uma nota de 20 euros para pagar a corrida de 8,50. Com cara súplice, o jovem me perguntou se não tinha "mais pequeno". Fui mexer na minha bolsinha de moedas que Thayze me deu de lembrança de viagem, o moço reconheceu as fitinhas do Senhor do Bonfim, e perguntou, alegre: 

Ele: Is this Bahia?
Eu: Yes, this is Senhor do Bonfim, Bahia.
Ele: I Stayed there  last year! I love Bahia! Do you from Bahia?
Eu: No. We are from Pernambuco, next to Bahia. 

E ficou nosso amigo de infância.      

Outros, se tornam colegas de trabalho. Andamos muito com "Seu" Edvaldo, nos serviços oficiais da Autarquia. Outro dia, fiz parte da banca de qualificação do projeto de mestrado de Virgínia, e lá vai Edvaldo nos levar e me trazer de volta à Garanhuns. São muitas conversas no meio do caminho, mas uma, particularmente me divertiu imenso. O motorista vinha me contando que a filha pequena estava com alguns problemas, e ele, pai atencioso, levou ao Dr. Jurandi, um ícone da pediatria garanhuense. O médico aconselhou-o a arranjar um bichinho de estimação para a garota. Morando em um apartamento, um cão estava fora de cogitação. Como a esposa tem alergia a gatos, a opção foi um coelho, arranjado por um colega de praça. Então, foi uma saga acostumar com o novo morador da casa: o bicho, era pequeno, mas cresceu. Só queria comer couves do Supermercado Bonanza, se o cuidador comprasse a mesma erva na feira, que era mais barato, o coelho fazia greve de fome. Acostumou-se desde cedo a fazer cocô num jornal, e se não tivesse jornal, o peludo ficava entupido por dias. Então, Edvaldo saiu com essa: "Professora, a senhora acredita que eu estou comprando jornal caro para servir de banheiro para o coelho?! Olhe, ninguém merece." Felizmente, a terapia funcionou e a menina ficou boa. Mas, o coelho parece que continua cheio de vontades, pois encontrei Edvaldo na fila do caixa do supermercado com um maço de couves que não tinha tamanho. 

Há taxistas que são anjos, e que quase fazem parte da família. Como agradecer a Seu Cabral, a atenção que ele tinha a Antonio? Um taxista idoso tratando com uma criança autista, e eram melhores amigos. Muitas vezes, Ilma se valeu de Seu Cabral para lidar com o menino. Era um grande ser humano, hoje faz parte da frota de Jesus. E também, morro de orgulho de Márcia, que é a primeira mulher taxista de nossa cidade. Vencendo preconceitos e quebrando barreiras, minha amiga de infância vai mostrando que é possível viver honestamente no volante, on the road para criar as filhas. É uma figura ímpar. 

Entre Táxi e Uber, prefiro os dois. O sol nasce para todos e todo mundo precisa trabalhar para ganhar a vida. E nós, consumidores, estejamos atentos para ter um serviço de transporte cada vez melhor.  

Fiquem com Deus.

domingo, 10 de setembro de 2017

Força na peruca!

Então, estou no ar desde cedo porque Tony foi cumprir a promessa feita ao amigo Sr. Bigode, de leva-lo para conhecer o canal da transposição do São Francisco, na altura de Custódia. Homem de animada conversa e de muitas história "seu" Bigode é uma figura conhecida dos cafés Garanhuenses. Muito bem alinhado, sempre tem um "causo" para contar e, por isso mesmo, não é de se admirar que tenha pegado essa amizade com o meu marido. Coincidências, os dois aniversariam no mesmo dia, e este ano teve até festinha de aniversário, com bolo, salgadinho e refrigerante pelas 16 horas em plena avenida Santo Antonio, na altura da antiga Padaria Suissa, no carrinho de confeito de "seu" Naldinho. Aliás, esse é o point da discussão de futebol na segunda-feira de manhã. Eles têm um grupo de sabichões da bola, a que chamam "bem, amigos". Então, todas as manhã, logo cedo, depois de deixar a menina na escola e a "patroa" (?!) no serviço, Tony batia ponto lá. É, no passado, porque agora, o horário é, prioritariamente para suar na academia.

Pois, acreditem se quiser. Logo no começo, Rita havia pedido uma ajuda através do grupo da Família Ferreira no whats app para buscar D. Nilza e levar ao médico, e eu, disse que naquele horário, Tony estava na academia. Ana Paula já profetizou o fim do mundo, pois ninguém poderia ser mais avesso às marombas e máquinas do que Tony Neto. E eu, não ficava muito atrás. Mas acontece que o tempo passa, e cobra seus tributos. No meu caso, especificamente, já quase infartei subindo a ladeira do SESC, depois de almoçar pirão de peixe (eu só como o pirão e o arroz. O peixe, está dispensado) na Tilápia, na frente do Pau Pombo. Depois, parei duas ou três vezes na "ladeirinha" que dá acesso ao Park Güell, em Barcelona. Por fim, fui à GRE-AM fazer uma consulta acerca de uma documentação. Parei na antiga Rádio Jornal e subi aquele pedacinho do Relógio de Flores e uma pequena rampa que dá acesso ao prédio. Quando cheguei à sala de Márcia Fernanda, ela perguntou se eu queria "uma  aguinha", de tão ofegante que eu estava. Daí, não deu para fazer de conta que não era comigo. Reconheci que preciso descartar o excesso de peso e melhorar a minha resistência física. Meio assustada por conta da idade, marquei uma consulta com o cardiologista, cuja última visita tinha sido realizada há 13 anos atrás. Dr. Célio Cabral, muito sério como sempre, me mediu e me pesou, olhou-me bem e perguntou: você sempre teve esse peso? Diante da resposta negativa, declarou: "seu problema é sedentarismo. Saia daqui e vá se inscrever numa academia. O que você precisa é de uma boa dieta (enquanto preenchia uma guia da UNIMED encaminhando a um nutricionista) e de atividade física. Arranje tempo, pois só quem pode fazer isso por você é você mesma".

Ai, lascou. Eu, que estava com aquela conversa de mulher moderna, "vou fazer isso para mim, já que só vivo fazendo as coisas pelos outros", cai na real de bunda no chão. Como Tony já havia falado algumas vezes que precisava fazer uma atividade física contínua já que o futebol de final de semana é mais perigoso do que a total ausência de exercícios, peguei o bicho na palavra e fomos a academia que fica atrás da Faculdade. Fizemos um contrato de três meses, devidamente pagos no cartão de crédito para não dá chance de desistir durante o contrato de experiência. Incluímos Luiza, que também não foge a regra da preguiça crônica para as esteiras e bicicletas. Então, há um mês, estamos frequentando um novo grupo social.

Os primeiros dias são difíceis, mas com o passar das semanas, vai acostumando. A nossa professora nos prescreveu duas rotinas de exercícios, alternando pernas/costas e braços/abdomem. Na avaliação física, pasmem: de nós três, a melhor dos piores fui eu, porque tenho um pouco mais de flexibilidade e consegui fazer 10 abdominais. Talvez isso seja memória física dos tempos em que eu era sparring no judô, aliado aos afazeres domésticos que, de qualquer forma, mexe com a musculatura. Então, de segunda a quinta-feira pela manhã, deixamos Luiza na escola e vamos à luta, monitorados pelos professores Thayse e Lucas, dois meninos ótimos, muito atenciosos. Eventualmente, Tony vai à tarde, principalmente quando tem audiências cedo, porque fica ruim transportar a roupa de advogado. Às sextas, vamos à tarde, quando somos atendidos pelo Bruno, que ajuda Luiza durante toda a semana a derrotar a preguiça secular que habita nela. 

E, igualmente, a todas as situações, aprende-se muito com as experiências vividas. No ginásio, cada um faz o exercício no seu ritmo, e com sua carga. Há umas magrinhas que levantam tanto peso que elas bem que poderiam arranjar uma colocação no cais do porto. E não deixa de ser engraçado, pois, em máquinas perfiladas, um bombadinho coloca 120 quilos na máquina, enquanto eu, vou toda feliz e contente, empurrar 5 quilinhos de cada lado. Cada um na sua.  Outro dia, estava no aquecimento no "elíptico", e achava que ia mesmo morrer de tão cansada. Bem na hora, o cliente do vizinho da academia buscou seu rumo. Bom esclarecer que a academia fica entre o Hospital Regional D. Moura e um Velório. Qualquer coisa, pode jogar para a direita ou para a esquerda. Então, quando eu estava com o coração na boca, já largando o exercício, saiu o féretro. Acompanhei o movimento pela vidraça, desistindo da ideia inicial e  consegui terminar os meus 15 minutos com louvor, afinal, para aquele lá é que não há mais oportunidades nesta encarnação. 

Como diriam os entendidos, força na peruca! Espero me acostumar tanto, ao ponto de frequentar o ginásio aos domingos e feriados. Por enquanto, cada semana concluída caracteriza uma pequena vitória.

Saúde para nós, mesmo sendo clichê, que é o nosso bem mais precioso.

Fiquem com Deus. 




domingo, 3 de setembro de 2017

Comidinhas

Paella, de Las Ramblas, Barcelona

Nem só de avião, trem, ônibus e longas caminhadas se faz uma viagem. A comida é fundamental para que possamos conhecer os sabores de outras culturas. Quando vamos viajar é essencial uma breve pesquisa no cardápio local, para que possamos desfrutar da melhor maneira das delícias de cada lugar. Igualmente, é também preciso que deixemos em casa, bem guardados atrás de alguma porta os preconceitos culinários, pois isso atrapalha um bocado, e restringe as oportunidades de conhecer novos sabores. É claro que bate um medinho, não é nada agradável uma dor de barriga ou um desarranjo intestinal quando estamos na estrada. Além disso tudo, é preciso abrir a mente e o bolso, a não ser que esteja disposto a passar dias a fio movido à McDonalds ou saladinha pronta disponível em qualquer supermercado.

Antes que eu me esqueça que o feijão para o almoço de amanhã está lá na pressão lá no fogão, vamos ao aspecto culinário da nossa visita à Europa, realizada em Julho passado.

Aveiro, my love.

Cachorro quente especial e fritas do Ramona's

Temos um caso de amor com essa cidade da região das Beiras, que nos acolheu tão bem durante três anos. Quando decidimos ir por Portugal, providenciamos  uma dormida estratégica em Aveiro. Como passamos à frente os Ovos Moles (um doce típico da região, famoso em toda Europa, mas que não gostamos), optamos almoçar tardiamente no Ramona's. O cachorro quente especial nos foi apresentado pelo Prof. Ivo, numa sessão de Artes e Palco, um curso que Luiza fazia durante as férias e/ou feriados prolongados. Além da menina se ocupar, aprender uma porção de coisas, o Artes e Palco me ajudou bastante na escrita do projeto e da tese. Numa das sessões, foram almoçar um fast food local, que fabrica as próprias bobajadas que põem no sanduíche. Pedimos um cachorro quente especial e uma porção de fritas. Esse molho rosa é uma delícia! Para acompanhar, a velha Coca Cola, para Luiza, e um suco de laranja com cenoura para mim. Sabor de saudade. Ficamos felizes com o reencontro, percebendo que tudo estava exatamente da mesma forma que conhecemos.
Pequeno almoço português

No outro dia, tomamos nosso cafezinho na pastelaria Tricana de Aveiro: duas meias de leite, um pão com croisant e um bolinho de bacalhau, para Luiza, e uma torrada para mim. A torrada Portuguesa parece ser feito de um pão de forma que lembra pão Recife. São duas fatias bem grossas, esquentadas na chapa com bastante manteiga, posta depois que o pão sai da chapa. Isso faz diferença porque a manteiga não queima e fica uma delícia. 

Salamanca, a surpreendente cidade Medieval

Mixto, popular no café da manhã de Salamanca


Quando passamos da fronteira, o maior desafio é,  além de encontrar o caminho das acomodações e compromissos, pedir a comida nos restaurantes, cafés e lanchonetes. Já na fronteira, Em Ciudade Rodrigo, tivemos nossa primeira prova: felizes, conseguimos ser atendidas num restaurante, onde comemos os nossos Bocadillos de Jamon Ibérico, sanduíches feitos com pães meio baguete, duros que só o cão, e zumos de naranja, que para eu pedir era uma comédia porque sempre trocava as sílabas, além de me lembrar de Pablo, que quando era pequenino dizia "nananjas". Pronto. Quando chegamos, a nossa primeira refeição foi a clássica pizza numa loja da rede Dominós, que há na praça da Catedral. Além de pizza, tinha também alletas de pollo (asinhas de frango), que pareceu-nos bem gostosas. Nesta lanchonete, o sistema do refrigerante era aquele que você compra um copo e enche quantas vezes quiser. Luiza adorou, encheu a cara de Coca-cola. No almoço, há inúmeros pequenos restaurantes na zona antiga da cidade e vale a pena encarar um menu completo, desde que esteja morrendo de fome.
Paella de Salamanca, o primeiro prato do menu completo

O menu completo vem com a entrada, nós pedimos paella, que são esses pratinhos pequenos da foto. Depois vem um prato de frango, carne ou peixe, e depois a sobremesa. Quando comecei a comer a entrada, chamei o menino e disse que não iriamos querer o segundo prato, pois era comida para um batalhão! Trocamos o segundo prato pela sobremesa: um sorvete de coco com baunilha e calda de morango. Meio não identificado, mas bonzinho. Apesar da comida está boa, percebi que Luiza ficou tapiando, separando as ervilhas do prato. Comeu os frutos do mar, menos as vieiras, e um pouco do arroz. Pelas 17 horas, quando saímos do encontro, ela estava com fome. Passamos num café da Rua Mayor e comemos bobagens. Ela quis pizza quadrada (de novo!), eu pedi um waffer com sorvete e calda de caramelho. Bem doce, mas estava bom. 


No café da manhã, costuma-se comer muito pão, com molhos temperados e tomates com ervas. Também servem churros, que são só a massa, sem recheio. Se quiser, pode pedir uma porção de chocolate. Come-se também um sanduiches feitos com um pão estreitinho e com uns círculos brancos dentro, que, na primeira mordida, descobri que eram lulas! Nunca comi nada tão ruim. Depois dessa terrível experiência, comecei a ter cuidado, pois há muitos pães recheados com patês de peixes, e eu preferi não conhecê-los. Gostei do "mixto", com x mesmo, parece um misto do nosso, mas, como leva muita manteiga, é servido no prato, com garfo e faca.  

(O feijão queimou. Joguei fora e vou ter que fazer outro. O pior é lavar a panela, pois hoje, Juju mordeu minha mão e o meu dedo está inchado e quando bate água arde muito. Ainda bem que Tony ainda não chegou e vai dá tempo de dissipar a fumaça. Ele fica zoando comigo quando desastres culinários acontecem).

Madrid, cosmopolita

Cachorro quente de Madri
Quando chegamos em Madrid, já eram pelas 16 horas, quase 17. Quando Luiza deu o terceiro aviso de que estava com fome (nós brincamos com ela, dizendo que quando ela dá o terceiro aviso, vai explodir em 10 segundos), entramos em um restaurantezinho bem bonitinho de uma transversal da Gran Via e fomos discutir a ementa. Eu queria comida de verdade, mas Luiza preferiu (mais um) cachorro quente. A surpresa foi boa: o pão era até macio, e vinha acompanhada com chips de batata, bem gostosas. Já a salsicha... era uma linguiça dessas fininhas, apimentadas que só o cão. Entre risadas e goles de Coca-cola, comemos nossos sanduíches sob o olhar mau humorado da atendente. No outro dia pela manhã, descobrimos a Pans, uma rede nacional de padarias que serve bons cafés, a preços adequados. 
Café da manhã da Pans
Geralmente, comíamos croisantes ou mistos (com x e sem tanta manteiga), café com leite e suco de laranja. No almoço, acabamos comendo besteiras na (caríssima!) lanchonete do Museu do Prado e a o final da tarde, Luiza insistiu em tomar um chá na Starbucks. Fomos àquela que fica enfrente da fonte de Netuno. Ela pediu uma Tevana (é, o nome do chá é esse mesmo) de pêssego, com tanta coisa dentro, que achei que ela não iria gosta muito. Quando provei o meu, que acabou sendo do mesmo por pura preguiça de raciocinar em inglês ou espanhol, constatei que a tal bebida é a mesma coisa do Ice Tea do Pingo Doce. A diferença é o preço que se paga pela menina desenhada no copo. À noite passamos em um Fast food famoso na Espanha. Só fomos porque tinha fila na porta, e pareceu-me que deveríamos experimentar. Foi bonzinho, nada espetacular.

Barcelona, novo amor 


Mercado Boqueria

Barcelona é meu novo amor. Uma cidade apaixonante! Chegamos era por volta das 15h, e a fome era grande. Convenci Luiza que deveríamos comer comida de verdade, pois em Madrid comemos muito fast food. Ela aceitou, desde que arranjássemos um lugar lá mesmo, na Rambla. Aceitei. Andamos poucos metros do nosso Hostel e uma jovem nos abordou oferecendo kebabs turcos no restaurante Luna de Istambul. Como a fome era grande, o cardápio bom, e o preço melhor ainda, entramos e nos sentamos numa mesinha para dois. No restaurante havia uma família terminando a refeição: duas crianças, uma mulher morena e robusta, de véu e um homem jovem com uma barba bem mulçumana. As pessoas nos olhavam, achando meio estranho duas mulheres sozinhas, mas, não mexiam conosco, enquanto conversávamos em português e dávamos risadas com as nossas besteiras. Eu pedi um kekab de alletas (asas de galinha) e Luiza pediu um kebab de cordeiro. Quando chegaram os pratos, ficamos passadas: duas travessas cheias de verduras, uma pequena porção de um arroz arbóreo, e no meu prato eu contei onze asas de galinha bem assadinhas. No de Luiza, vieram quatro bistecas de cordeiro. E ainda veio mais duas porções de pão sírio, bem fininhas. Tudo uma delícia. 
Acima, o meu kebab de asinhas. Abaixo, o kebab de cordeiro de Luiza, já meio comido 

Luiza separou as verduras, mas comeu o tomate assado, com o arroz e a carne, e beliscou o pãozinho. Eu comi as beringelas dela, mas não quis o pimentão assado nem a cebola. Estava uma delícia. No outro dia, depois de muito zanzar pela cidade, almoçamos na Rambla, nos restaurantes específicos para receber turistas, justo naquele calçadão, onde um mês depois os terroristas passaram com uma van, matando as pessoas. Eu pedi uma paella e Luiza quis um espaguete a bolonhesa. Ela sempre faz isso comigo: em Porto Seguro, enquanto eu comia uma maravilhosa moqueca de camarão, ela pediu o espaguete. Felizmente, desta vez, ela comeu tudo, pois já eram mais de três horas e a "nega veia" estava morrendo de fome. 

O espaguete de Luiza


No outro dia, já era hora de ir embora, comemos umas saladinhas de fruta disponíveis no Boqueria e almoçamos sanduíche no aeroporto, pois mesmo que eu quisesse, não consigo almoçar aquelas saladas em potes que vendem nos frigoríficos. Para mim, aquilo não tem gosto de nada e nem enche a barriga. Duas horas depois, estamos morrendo de fome. 

Lisboa, estamos em casa



Pastéis de nata e cafezinho na Brasileira

Pronto. Já no caminho de volta, pegamos um voo de Barcelona para Lisboa, que nos deixou "praticamente em casa" pelas 20 horas. Lisboa é sempre meio temperamental e o tempo havia esfriado um pouquinho. Para variar, chegamos com nosso almoço e a série de besteiras que comemos no aeroporto já bem vencidas. saltamos do metro em Restauradores e antes de subir a escadaria do Hostel, paramos num restaurantezinho do lado da Estação ferroviária do Rossio. Um jovem animado nos atendeu muito bem. Esfomeadas, pedimos uma bifana com batatas para Luiza e um hamburger, para mim. 

Os pratinhos, apesar de bem servidos, caíram bem no nosso saudoso estômago de viajante.Assim, tivemos forças para subir os quatro andares com as malas, até conseguir alcançar o nosso quarto num prédio antigo, que estalava a cada passo no piso de madeira e, depois de um banho no diminuto duche do quarto, cair na cama de casal e dormirmos como anjos. No outro dia, depois de um cafezinho naquela pastelaria na Praça da Figueira, fomos andar - e nos perder - em Lisboa. Acabamos indo ao Chiado, tomar um cafezinho na Brasileira (é obrigatório!) antes de nos embrenharmos na Bertrand, vendo todos os livros e tentando decidir o que levar. Mais tarde, almoçamos no Pateo do Armazém Chiado (um shopping bem legal instalado num velho armazém que já pegou fogo. Tudo em Lisboa, um dia já pegou fogo, e hoje funciona maravilhosamente bem).

Dá para avaliar a saudade que estávamos da comidinha lá de casa? Somente quanto ao ovo, foi que tive que pedir ao cozinheiro angolano para fritar o ovo "frente e verso", se não a gema vinha praticamente crua, à moda portuguesa. À noite, já muito cansadas, preferimos comprar meio frango com batatas e sumo de laranja natural para nosso jantar no quarto. 

Foi uma boa experiência cultural e culinária. Agora estou de dieta, monitorada pela Dra. Elaine Cristina, que está me ensinando a pegar leve para ter uma vida mais saudável. Mas, comi tudo que tinha direito, e quando viajar, comeremos do mesmo jeito, pois faz parte da aprendizagem. Quando voltar, se necessário, ficaremos a pão e água, como todo bom cristão. O meu pão, integral, por favor. 

Fiquem com Deus. 

domingo, 20 de agosto de 2017

No caminho a caminhar: Lisboa

Luiza e o Elevador de Santa Justa, Lisboa.

Já era hora de pegar o beco e voltar para casa. 10 dias passam muito rápido, principalmente quando se está em lugares tão especiais. Então, depois do velho cafezinho, demos uma voltinha na Rambla, a tempo de ver os artistas que fazem as estátuas vivas chegarem aos seus pontos. Um espetáculo à parte: de um lado, um allien meio vestido de gente,  do outro, uma dama antiga, maquiada, com suas perucas de cachinhos, de leggin e top. Depois de comprar uma coleção de lápis e uma pulseirinha para Luiza, ainda passamos no Mercado Boqueria, antes de ir buscar as malas, no número 41 de Las Ramblas.  Fomos andando pelo meio do calçadão para chegar a Plaza Cataluña e pegar o aerobus para o aeroporto de Barcelona, terminal 1. Ainda deu tempo de ver o bebedouro do Barcelona, comemorativo a algum título do time de futebol mais conhecido do mundo e pisar no mosaico de Juam Miró, que até então não tínhamos visto porque só passávamos pelo outro lado da calçada. No aeroporto, aquela espera de sempre: primeiro para abrir o check in e finalmente, nos livrarmos da bagagem. Antes disso, ainda comemos sanduíches num café bem arrumadinho, enquanto olhávamos o desembarque. Depois, compramos água e chocolate e fomos despachar nossas malas. Estava somente com o identificador, e como havíamos comprado os tickets pela Ibéria, estava certa que deveria ir no guichê essa empresa. Mas, para o nosso voo, a gigante da aviação espanhola havia tercerizado, daí, tivemos que procurar o check-in da Vueling. Luiza desenrolou tudo num inglês bem arrumadinho. Eu fiquei do lado só mostrando os documentos. Ainda esperamos um pedaço bom, pois o nosso voo só sairia pelas 17h. Enquanto isso, olhávamos a vida alheia dos viajantes. 

O processo de embarque desse aeroporto é quase todo automatizado. Vocês só trocará uma palavra com um ser humano se quiser. Passamos nos guichês, imitando os demais, e seguindo a multidão, passamos no raio x das nossas bolsas de mão. Entramos na área de embarque, seguindo por um imenso corredor para encontrar nossas "puertas".  Quando autorizam o embarque, costumo chamar a minha pequena: "vamos pegar o beco", o que não deixa de ser verdade, porque temos que entrar naqueles corredores imensos que desembocam na aeronave. Na nossa frente iam duas figuras, dois caras muito brancos, com mochilas nas costas e uma peculiaridade: um deles estava descalço!

O sujeito descalço (e fedorento) no embarque para Lisboa

Dei uma tapeada e fiz a foto. É a prova de que o povo na Europa não está nem aí para como o sujeito se veste, se calça ou não. Fiquei rezando que nenhum dos dois sentassem ao nosso lado, pois estávamos com assentos separados. Os sujeitos quando se mexiam subia um cheiro nauseabundo de grude, suor e xixi. Ninguém merece uma companhia dessas. Felizmente, eu fui sorteada para a saída de emergência, entre dois executivos que mal se mexiam. E Luiza ficou entre um norte-americano gordo e uma senhorinha. Menos mal.

Chegamos em Lisboa pelas 20h. Como a cidade é temperamental, o tempo já estava diferente. Passamos os últimos dias em altas temperaturas, mas em Lisboa, o céu estava nublado e ventava um bocado. Pegamos o metro e descemos no Rossio. O bom  de chegar em Lisboa é a sensação de familiaridade. Antes de subirmos para nossos alojamentos lisboetas, paramos num restaurante ao lado da Estação Ferroviária do Rossio e batemos dois belos pratos da boa comida portuguesa. Luiza pediu bifanas com batatas fritas e eu, comi hamburgueres. Fomos muito bem atendidas por um jovem engraçado que, ao identificar-nos como brasileiras, sacou do vocabulário uma série de "valeu", "é top". Depois de bem alimentadas, fomos para o hostel. Instalado num casarão setecentista, o nosso quarto ficava no quarto andar, sem elevador! Quase morro para subir os oito lances dos quatro andares de escada de madeira, de degraus bem estreitinhos. Prometendo visitar o cardiologista quando voltasse, chegamos num quarto com uma cama de casal, uma varandinha com portas duplas, um duche apertado para tomar banho, uma pia, e só. O banheiro era coletivo, lá no final do corredor. Essas hospedagens são mais baratas e, apesar de não ter nenhum luxo, são seguras, limpinhas e cabem no nosso exíguo orçamento. Foi tomar banho e cair na cama. Me acordei no noutro dia, com a vida começando no Rossio. 
Restauradores, vista da varandinha do prédio antigo.

No outro dia de manhã, Lisboa continuava sob uma chuva fininha. Luiza disse que era para nos habituarmos ao nosso inverno tropical de Garanhuns. Pretendíamos ir à Belém, mas, acordamos tarde, acabamos andando pela Augusta, até a N.Sa. do Carmo e pegarmos um bonde errado e acabarmos em frente ao Cemitério de Martin Moniz. Depois de muita conferência, pegamos o bonde de volta, e ao avistar a Igreja de Santa Catarina, chamei Luiza para descermos no Chiado, bem atrás da estátua do Poeta. Fizemos uma parada obrigatória na Brasileira, onde tomamos um cafezinho - Luiza fingiu que tomou. Ela odeia café espresso -, e fomos zanzar na Bertrand, uma livraria obrigatória para nós, quando vamos a Lisboa. Adoro, tem tudo que você imaginar e vários idiomas. O problema é sempre o mesmo: com a grana curta, escolher não é nada fácil. Optei por um livro de Eça de Queiroz, um de José Saramago e outro de Agualuza. Luiza escolheu dois para engordar a lista dela, já quilométrica. Depois, fomos almoçar no Armazém Chiado e zanzar mais um pouco na Fnac. Já à noitinha, tomamos o metro - sobre a estação do Chiado, uma nota: aquela sucessão de escadas rolantes entrando chão a dentro me causam uma péssima impressão. Fui conversando bobagens para não registrar que estava sendo enterrada viva. Meu coração só volta ao normal quando chegamos na plataforma da estação. Seguimos para a Gare do Oriente, pois Luiza queria ir ao (shopping) Vasco da Gama, e eu precisava comprar uma mala para trazer as coisas. Compramos mais umas camisas para Tony e pegamos voltando para o Rossio. Para jantar, passamos no Pìngo Doce e compramos meio frango, batatas fritas e uma garrafa de suco de laranja natural: como nos velhos domingos quando morávamos em Aveiro. 
Acima, eu e Luiza no Chiado. Abaixo o quartinho do 5º andar do Guest House.
  Quando chegamos no Hostel, fomos informados que haviam nos mudado de quarto: agora estávamos no quinto andar! mais dois lances de escada, e ficamos instaladas no sótão. Mas, até que o quarto era bonitinho, apesar do banheiro ser completamente partilhado. Perguntei umas vezes a Luiza se ela queria ir ao banheiro, pois se quisesse, eu iria com ela, com medo de que alguma daquelas portas se abrissem e um meliante puxasse minha menina para o quarto. Duas fica mais difícil de atacar. Eu tenho assistido muito episódios de Law and Order SVU. 

No outro dia pela manhã, já não chovia, mas, estava friozinho. Luiza não quis descer para tomar café, fui sozinha a uma padaria que fica na esquina com o Theatro D. Maria I. Depois, fui andando até o Tejo, só para dá tchau. Na volta, comprei um pãozinho e um suco Compal e fui lutar com as coisas para acomodar tudo dentro das malas. A descida dos cinco andares com duas malas me fez duvidar que descendo todo santo ajuda. Cheguei ao rés do chão lavada de suor e com o coração na boca, reconhecendo que preciso urgentemente perder peso e melhorar a minha condição física. Pagamos o Aerobus em frente a fonte do Rossio e chegamos ao Aeroporto pelas 14 horas. Mais alguma espera e já estávamos voltando, no nosso voo de 7 horas sobre o Atlântico, aterrisando em Fortaleza. Daí, pegamos um voo da Gol para o Recife, sob uma chuva que me fez duvidar se realmente iria decolar. Chegamos em Recife pelas 2h da manhã, onde Tony já nos esperava após assistir o Jogo Sport X Atlético de Goiás. O Sport ganhou de 4 x 0 e quando chegamos, Boa Viagem estava às escuras, sem energia por causa da queda de árvores. Dormimos na Pousada Casuarinas, que chamamos carinhosamente de "Pousada dos gatos", pois na rua e na pousada há muitos felinos. 

Foi uma boa viagem. Temos absoluta certeza de que iremos fazer esse caminho mais vezes para descobrir novos aspectos, pois, foi uma breve passagem. Até a próxima!

Fiquem com Deus.

domingo, 13 de agosto de 2017

No caminho a caminhar: Barcelona

O Lagarto da entrada do Park Güell
Então, na última etapa da nossa cruzada hispânica, aportamos em Barcelona. Na realidade, a cidade não estava no programa inicial, em que pensávamos em entrar na Europa por Madrid e depois ir a Salamanca. Como já sabem, entramos por Lisboa e teríamos que voltar por lá. Então, no meio dos preparativos, me lembrei de que quando Luiza era pequenina, nós assistíamos à tarde um desenho espanhol na TV Cultura, As Trigêmeas (Les tres Bessones, no original catalão). Numa das aventuras das três meninas com a Bruxonilda, elas contavam a história das obras de Antonio Gaudi. Achei ótimo o desenho, mas, acabei esquecendo. Nos últimos meses, trabalhei com afinco num projeto de um curso de Arquitetura para a AESGA, o que me custou muita pesquisa. Por ter que aprender alguma coisa que não faz parte da minha área, desenterrei Gaudi da minha memória. Como prêmio ao projeto quase aprovado, decidi incluir Barcelona no nosso caminho, conhecida primeiro pela obra inovadora do arquiteto catalão, do que pelo o time de futebol.

Paisagem no caminho para Barcelona.
Saímos de Madrid pelas  11h40 do domingo, da estação de Puerta Atocha. Sobre a estação, uma nota: infelizmente, eu estava tão agoniada em encontrar o balcão onde vendia os tickets e providenciar nossa saída da capital, que não fiz nenhuma foto da estação, que tem um lindo jardim interno com árvores crescidas, muitas plantas, flores e banquinhos. Fomos atendidos por um senhora gorda e enfadada num guichê de fila única. Deixei Luiza com as malas e fui comprar os tickets, e essa foi uma péssima opção, pois eu preferi falar inglês e quando a mulher me respondia, eu mal entendia. Se perguntasse novamente, ela revirava os olhos e bufava, e somente depois repetia devagar. Me deu vontade de mandá-la estudar para arranjar um emprego melhor, mas, acabei finalizando o contato com um "Obrigada, simpatia", cheio de ironia. As estações de trem da capital espanhola têm o mesmo rito dos aeroportos: é preciso colocar as malas e bolsas na esteira para que sejam analisada no raio X. Depois disso, fomos esperar nosso trem numa sala de embarque movimentada. Quando anunciaram a nossa condução, deu um certo burburinho. Não se fazia fila e nas três portas de acesso a plataforma de embarque, formou-se um bolo confuso de gente apressada. Brasileiramente, fomos com a multidão. Embarcamos num trem da Renfe, com relativo conforto. Enquanto Luiza cochilava, eu apreciava a vista através da janela do trem a 259 km/h. 
Eu, na Rambla Del Mar
Chegamos em Barcelona depois das 15 horas. Nos vimos em uma estação movimentada, repleta de gente de todos os lugares do mundo. Antes buscar uma saída, precisava ir ao banheiro. Luiza não quis ir, então, eu saquei da minha Bahia uma moeda de 1 Euro, conforme exigia a máquina na entrada. Contrariada, coloquei a moeda e saquei um pequeno ticket. O banheiro parecia um salão de beleza: muito limpo, construído no vidro leitoso verde e espelhos imensos a partir das bancadas de mármore, onde se alinhavam as pias. Nos gabinetes, uma bacia simples, um dispenser de papepl, um lixeiro. Nada de mais. Após o uso, quando fui tentar dar a descarga, havia três botões sobre a caixa acoplada ao vaso. Indecisa, apertei o primeiro, e a bacia deu várias xinringadas de água, se transformando em um eficiente bidê. Contendo as risadas, apertei o segundo. O acento da bacia rodou 360 graus e saiu um jato de  vapor e depois de ar quente. Esse bendito botão era o que eu deveria ter apertado antes de usar, pois era para higienizar o vaso. Orh! No último botão, deu-se a descarga, finalmente e eu sai dando risada da minha ignorância latino-americana.  
Monumento a Cristóvão Colombo na rotunda no final da Rambla e La Rambla Del Mar


Saindo da estação, preferimos tomar um táxi. Um jovem moreno adiantou-se da fila, e, sorridente abriu a bagageira para acomodar nossas malas. Luiza disse o endereço e lá fomos nós para La Rambla. Já havia visto num documentário na TV que esse pedaço de Barcelona é bem movimentado. Como há muitos Hosteis, arranjamos um bem em conta, administrado por imigrantes indianos. O percurso não era tão longo, pagamos 8 Euros pela "carrera". Deixamos nossas malas no Hostel e fomos em busca de comida, pois já chegava às 16 horas e andar com um "Ferreira" (a família de Tony) com fome é meio complicado. Almoçamos num dos muitos restaurantes da Rambla, experimentando dessa vez um restaurante Turco chamado Luna de Istambul. Resolvida a fome, fomos andando a Rambla para ver o que tinha no final.
Ancoradouro de Barceloneta
La Rambla del Mar não existia antes dos Jogos Olímpicos de 1992, realizado nesta cidade. Aliás, Barcelona só entrou para o trade turistico mundial como legado dos Jogos. Diferente do que aconteceu no Rio de Janeiro, a estrutura necessária aos jogos continua sendo bem utilizada. A Vila Olímpica é um dos bairros mais caros da cidade, que foi completamente revitalizada. La Rambla Del Mar é um cais de madeira que atravessa de uma ponta a outra da praia de Barceloneta, tendo um shopping no final. A quantidade de gente que circula nessas pontes é uma coisa impressionante. Do outro lado, vê-se o WTC de Barcelona, um hotel de alto luxo, bem ao lado do cais exclusivo onde aportam os gigantes navios de cruzeiro. Se em Madrid eu me encantei com a beleza das pessoas, em Barcelona a natureza e as construções são um prodígio de Deus e do homem. Aliadas a diversidade humana, com gente de todos os lugares do mundo, entre os voos rasantes nas gaivotas, tivemos um final de tarde memorável, apesar dos nosso relógios já apontarem as 21 horas. 



No outro dia, após um cafezinho na  pans, que pelo jeito há em todas as cidades desse país, fomos comprar nossos tickets para o ônibus de turismo, que nos levaria para conhecer a cidade. Optamos pegar a linha vermelha, depois saltar na outra praça lá no começo da Rambla e trocar para a linha azul, que nos levaria até o Park Güell, um empreendimento criado por Gaudi para ser um loteamento de alto poder aquisitivo. Porém, a ideia fracassou, segundo Luiza porque o negócio ficava no fim do mundo. E pense numa ladeira! O ônibus nos deixou numa parada e para chegarmos à portaria do Park, tivemos que subir uma ladeirinha básica parecida com aquelas de Olinda. Some-se ao sol escaldante das 12h e o fato de eu ter escolhido ir de sandálias. O sapato errado pode colocar a viagem a perder. Chegamos ao topo da ladeira, meio mortas e meio vivas, depois de nos perder e ser selvas por um velhinho que estava sentado à frente de sua casa. Quando íamos passando, o velho disse: "Ei! donde vás?" Voltei, cumprimentei e disse que íamos ao Park Guëll. O Velho, abanou a cabeça e disse: "No, no, no. No vás por cá. Cá só de colche. Vueltas y caminas hasta dos calles y sube. Alla arriba. és el Park." Impressionada com a disponibilidade das pessoas em ajudar, agradecemos muito e fizemos o que o Velho mandou.  Como já tínhamos comprado os tickets na internet, fomos direto à entrada e passamos para o Eixo Monumental do Park, um dos lugares mais lindos que já vi em minha vida. 


 

Na verdade, quase fomos barradas na porta, porque nossos ingressos diziam que deveríamos chegar às 10 horas e já passavam das 12. Explicamos que nos perdemos e que quase morremos para subir a ladeira a uma moça loura que pegou nossos tickets e pediu-nos para esperar. Em catalão e entre risos, ela falou com alguém na administração e fomos autorizadas a entrar. Agradecemos muito e fizemos nosso passeio por um parque lindo, cheio de esculturas e muitas surpresas. Escolhi visitar esse lugar por causa de dois clipes: "Irmã de Neon", do Djavan, que foi gravado justo nesse lugar onde Luiza está fazendo uma foto. O outro é "Amado", da Vanessa da Mata, em que ela aparece passeando nesse lugar onde Luiza está acima. 


Mercado Boqueria
Na sessão da tarde/noite fomos no mercado Boqueria e andamos o circuito vermelho inteiro, passando por La Pedreira e pela Casa Batló. Passamos também pela Igreja Sagrada Família na ida ao Park Guell, mas, não descemos. Fica para a próxima, do mesmo jeito que ficou o Campi Neu, pois visitar a casa do Barcelona sem Tony Neto é um traição imperdoável. 

No outro dia, após comprar as lembrancinhas, ainda demos mais uma volta na Rambla e nos despedimos de Barcelona, certas que iremos voltar tomamos o Aerobus na praça, ao pé do El Corte Inglés, e seguimos para o aeroporto onde pegamos um voo para Lisboa, nossa despedida da Europa.

Ficam os clipes que inspiraram nossa trip no Park Guell. Tenho absoluta certeza de que voltaremos a Barcelona, uma cidade mágica, como bem disse o Prof. Luis Pedro. Voltaremos muitas vezes. 





Fiquem com Deus.